Memória

O voto de alimentar a docência com a investigação surdiu estupendas consequências na Faculdade de Direito de Coimbra. A Reforma de 1911 transplantou o modelo estrangeiro, criando um estabelecimento congénere a que deu o nome de Instituto Jurídico.
Assumia todos os contornos de um centro de actividade científica, considerado de suma utilidade a professores e alunos. Aí se tenderia a implantar um ambiente de fervilhante debate de ideias.
Os trabalhos do Instituto Jurídico consistiam em exercícios, conferências e discussões  científicas propícias ao domínio dos métodos de investigação. Do ponto de vista organizativo, o Instituto Jurídico integrava quatro secções em harmonia perfeita com o mosaico dos grupos de disciplinas. Eis as quatro secções: a 1.ª de História do Direito e de Legislação Civil Comparada, a 2ª de Ciências Económicas, a 3ª de Ciências Políticas e a 4ª de Ciências Jurídicas. Em cada uma delas, surgiram dois tipos de cursos. Um era elementar, para principiantes. O outro, crismado de curso superior, destinava-se à preparação de estudos originais* . Como apoio fundamental à missão que lhe foi assinalada, o Instituto Jurídico passava a dispor de uma biblioteca privativa. A Biblioteca da Faculdade de Direito.

Rui Manuel de Figueiredo Marcos - A Biblioteca da Faculdade de Direito de Coimbra : Memória e Sentido, Coimbra : [s.n.], 2012. p. 19 e 21.

*Ver Decreto de 18 de Abril de 1911, artigo 34º.